Society of Indian Screen Editors formed
Film editor Bina Paul is the chairperson
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O interesse pelo cinema começou cedo. Por volta dos 5 anos, as brincadeiras do menino já tinham montagem de filmes com histórias de super-heróis. Enquanto ia gostando dessa brincadeira, Miguel Figueiredo Viglio deu o primeiro passo para conhecer mais a arte do cinema e resolveu, aos 7 anos, fazer um curso de stop motion, que é uma animação feita quadro a quadro. “Aí comecei a fazer os filmes em stop motion com brinquedos que eu tinha e fui me aprimorando”, contou em entrevista à Agência Brasil Notícias relacionadas:Recife vai sediar maior festival de animação do Brasil, o Animage.Duelo de Guitarras, da TV Brasil, termina com perfil do campeão.Mostra Internacional de Cinema de SP começa nesta quinta-feira.Hoje com 14 anos, o jovem tem certeza de que quer seguir na carreira, embora saiba que é um caminho árduo. “É difícil, mas sei que vou trabalhar com uma coisa que eu gosto e com pessoas que também gostam da mesma coisa". Miguel Viglio é um dos concorrentes no Festival Internacional Pequeno Cineasta (FIPC), que ocorre deste domingo (18) até o dia 24 de outubro, em três espaços culturais da cidade do Rio de Janeiro: Teatro Municipal Carlos Gomes, Instituto Cervantes e Jardim Botânico. A programação é gratuita. Circo dos Horrores - Divulgação Festival Internacional Pequeno Cineasta (FIPC) Em casa, Miguel conta com o incentivo da mãe Chica Amoreira, que orgulhosa lembrou os prêmios que o filho já conquistou em festivais. Entre as premiações, somente com o filme Circo dos Horrores, com o qual vai concorrer nesta edição do FIPC, tem Melhor Filme no festival FECEA no Rio Grande do Sul, em 2025; Troféu Geração no Festival do Rio, no mesmo ano; Melhor filme pelo Júri Popular no festival É Tudo Criança, em Minas Gerais, em 2026. Fora do Brasil, foi finalista no CineClub Dei Picoli, na Itália, em 2025, no Madeira Curtas Short Film, de Portugal em 2026 e no REC film festival da Alemanha também em 2026. Daniel Nini, de 16 anos, é mais um concorrente no Festival Internacional Pequeno Cineasta. O interesse pela arte o levou para atuar como ator. Depois do teatro, veio a vontade de fazer cinema porque gostava muito de ver filmes. “Com 10 anos eu me toquei que poderia estar nos filmes e realizar filmes. Aí comecei a ver muita coisa para pegar bagagem cultural e tentar botar em prática os meus próprios roteiros”, disse à Agência Brasil. No início, recorreu ao celular, que era o que dispunha na época para realizar o seu filme. “Nessa época eu não tinha câmera, quando eu peguei feito por telefone, pensei que nada ia ser aproveitado, porque o som também não estava com uma qualidade muito boa , mas com a mágica da edição, ainda mais vendo na tela grande, ficou ótimo. Fiquei muito feliz com o resultado”, contou Daniel. que também é ator e com o tempo conseguiu comprar os equipamentos necessários com o dinheiro que ganhava com as suas atuações. Júri Uma outra característica do festival é que as crianças e adolescentes também participam da escolha dos vencedores. O Júri Oficial é formado por jovens das mesmas faixas etárias dos competidores, na faixa etária entre 8 e 17. A responsabilidade de ter que julgar as produções é grande, afinal pode representar um marco para quem está começando na carreira. Participante do Júri Oficial, Carina Ki considerou uma experiência muito importante. “Quando eu soube que eram de 13 a 17 pensei que era uma coisa meio experimental porque são crianças fazendo, mas fiquei muito impactada com a criatividade e todas as técnicas que elas usaram. As crianças se esforçaram muito para fazer. Fiquei muito impressionada com o talento delas”, disse. “Eu tenho o projeto de estudar cinema no futuro, então, foi uma oportunidade muito importante, para mim, ter contato com produções de outros adolescentes”, concluiu. Para a cineasta, produtora, educadora audiovisual e idealizadora do FIPC, Daniela Gracindo, o diferencial deste festival é que não são adultos falando sobre crianças e adolescentes. São eles que assumem as câmeras para contar as suas histórias. “Eles ficam se sentindo mais participativos com protagonismo, porque a opinião deles importa. Já muda completamente a postura daquela criança que senta na cadeira sabendo que vai eleger o filme que vai ser premiado. A postura dela na cadeira de cinema é outra”, avaliou Daniela. 11ª edição O Festival Internacional Pequeno Cineasta chega a 11ª edição com mais atividades e maior interesse de crianças e adolescentes pela arte do cinema. A ideia surgiu quando Daniela produzia uma homenagem ao avô Paulo Gracindo. Na época, o pai Gracindo Jr., com quem realizava o documentário, tinha uma produtora, onde a cineasta queria dar aulas de cinema e teatro. Foi assim que em 2009 uma turma com equipe infantil de alunos entre 9 e 13 anos inaugurou a Oficina Pequeno Cineasta, que acompanha crianças e jovens em todas as etapas da realização de um filme, indo da ideia e do roteiro à atuação, direção, filmagem e edição. A partir daí surgiu a primeira edição do festival em 2010 e, que segundo Daniela, ainda era bem mais tímida. “Cada edição que eu faço é uma potência tão grande de troca de cultura, de conexão, de conseguir se aproximar da criança, porque a gente tem esse espaço qualificado onde elas podem e devem se expressar por meio da sétima arte”, apontou Daniela. Ao longo dos anos o convívio com as crianças e adolescentes foi aumentando e se fortalecendo por meio de Oficinas Pequeno Cineasta que já foram realizadas no Rio de Janeiro, em São Paulo, em Santa Catarina, no Rio Grande do Sul e até fora do Brasil, como na Guiana Francesa e na Argentina. “Por ver todo esse resultado e conseguir abrigar crianças que nunca entraram em uma sala de cinema e ficam estonteadas só com a sala, imagina quando elas veem que uma outra garota ou garoto, como elas, fizeram aquele filme que está na tela. O impacto é muito grande para todos”, disse Daniela. Produções Este ano, o festival vai exibir 68 filmes realizados por jovens de 8 a 17 anos. As produções foram selecionadas a partir de 467 inscrições de 41 países e dez estados brasileiros. São ficções, documentários e animações, que conforme a organização, “mostram como essa geração enxerga questões que vão de amizade e preconceito à inteligência artificial, cyberbullying e crise climática”. Níveis de competição Além de quatro categorias: Nacional e Internacional Criança para realizadores de 8 a 12 anos; e Nacional e Internacional Jovem para adolescentes de 13 a 17 anos, a competição das obras se dá em três mostras especiais: Oficina Pequeno Cineasta, Filmes Hispânicos e Sustente Sua História, que é dedicada a produções sobre sustentabilidade e meio ambiente. Variedade Os temas dos filmes selecionados passam por afetos, perdas, amizade, preconceito, trabalho, inteligência artificial, violência, cyberbullying, crise climática e a relação entre humanidade e natureza. Os vínculos humanos são abordados em A Night Without You (Malásia), Orpheus & Eurydice (Estados Unidos) e Passagens (Niterói, Rio de Janeiro). Já em The City (Ucrânia) e Paani (Estados Unidos) os cineastas tratam da resiliência diante de guerras, deslocamentos e eventos climáticos extremos. A crise climática é tema em Axinos (Grécia), Concreto (Contagem, MG) e Yanomamis: Guardiões da Floresta (Brasil), enquanto O Espelho e Segundo Plano, os dois de Porto Alegre, e Por Culpa de la IA (Espanha) exploram a solidão, pressão social, violência e os efeitos da tecnologia. Intercâmbio A abertura, no dia 18, às 11h, no Teatro Municipal Carlos Gomes, Centro do Rio, reserva um encontro especial entre cineastas do Brasil e da Guiana Francesa. Na cerimônia, serão exibidos seis curtas realizados em Saint-Georges, por cerca de 80 crianças e jovens, produzidos durante oficinas desenvolvidas entre 2025 e 2026, além de um minidocumentário sobre o processo de criação. Na segunda-feira (19), haverá no Instituto Cervantes, em Botafogo, das 15h30 às 17h, a Mesa Redondinha. O evento será um encontro de jovens cineastas do Brasil e da Guiana Francesa para assistirem aos filmes produzidos pelos dois grupos. Também terá conversar com o público sobre escolhas narrativas, temas, desafios de realização e as diferentes maneiras de transformar experiências em cinema. Ainda na segunda e no dia seguinte, o Instituto Cervantes recebe, das 9h às 13h, o workshop Cinema na Sala de Aula, destinado a professores, educadores e interessados em desenvolver práticas audiovisuais com crianças e jovens. A educadora, realizadora e pesquisadora argentina Irene Blei, é quem vai ministrar a atividade com oito horas de duração. Irene é inovadora na educação audiovisual, ela criou e dirigiu historicamente a Oficina de Cine El Mate, a primeira escola de cinema infantil e juvenil de Vicente López, na Argentina. Escolas As ações do festival atravessam os seus espaços e chegam às escolas e comunidades educativas de todo o país por meio do Pequeno Cineasta na Escola. As instituições inscritas tem acesso gratuito, durante o período do festival, às mostras competitivas e podem organizar sessões com seus alunos e enviar os votos para o Prêmio do Júri Popular. Para a organização, a iniciativa favorece a formação de plateia e transforma o cinema em ponto de partida para conversas sobre temas contemporâneos dentro da escola. “É primordial para a infância e a juventude nesse sentido, não de ser um youtuber, um tiktoker, pode ser também, mas a ideia do projeto Pequeno Cineasta é que eles se aprofundem na linguagem e se tornem críticos e saibam o que estão recebendo, fazendo e sejam alfabetizados nessa linguagem”, relatou Daniela. Ao longo das edições, o festival reuniu produções de 54 países e alcançou mais de 80 mil pessoas, “promovendo autoria, direito à expressão, formação de público e diálogo intercultural”. O encerramento da programação deste ano será no Instituto Cervantes, das 16h às 18h, quando haverá a premiação dos vencedores e uma homenagem a Gracindo Jr, que morreu no dia 2 de setembro, em casa no Rio, aos 83 anos. O Festival Internacional Pequeno Cineasta tem apoio institucional da Prefeitura do Rio, por meio das Secretarias Municipais de Cultura e de Educação, do Sistema Nacional de Cultura e do Ministério da Cultura.
A Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, um dos maiores festivais de cinema do país, começa nesta quinta-feira (15). Neste ano, a Mostra, como é mais conhecida, comemora 50 anos. Para celebrar a data, o evento vai exibir 392 filmes de 93 países, além de promover exposições, lançamentos de livros, shows, debates, programação especial para crianças e o lançamento de um acervo próprio. O evento ocorre até 29 de outubro. Veja aqui informações sobre locais de exibição e compra de ingressos. Notícias relacionadas:Mostra de Cinema de SP chega aos 50 anos com homenagem a James Gray.Capital paulista sedia festival que une cinema e gastronomia.SP: mostra abriu as portas para o cinema mundial.Ao longo dessa meia década, a Mostra já apresentou ao público mais de 11.692 filmes. Ajudou a formar uma geração de cinéfilos, diretores e profissionais do cinema. Entre eles, está Rodrigo Teixeira, que ajudou a produzir sucessos como Ainda Estou Aqui, Me Chame pelo seu Nome e também Tigre de Papel – filme de James Gray que será exibido no festival. “A Mostra me formou como cineasta e me ajudou muito a me formar como ser humano”, disse ele durante a cerimônia de abertura do evento, na noite dessa quarta-feira (14). Em entrevista à Agência Brasil, Teixeira celebrou a data especial. “A Mostra celebra 50 anos, eu celebro 50 anos, minha empresa celebra 20 anos. Há 20 anos eu ganhei o prêmio de melhor filme aqui. Então, muitas datas se cruzam.” Cenas do Filme Tigre de Papel do cineasta James Gray. Foto: 50° Mostra Internacional de Cinema SP/ Divulgação Autor do pôster da Mostra deste ano, o cineasta americano James Gray esteve presente na cerimônia de abertura para apresentar seu novo filme, Tigre de Papel, que acompanha a história de dois irmãos em busca do sonho americano que se envolvem com a máfia russa. “Eu amo este país. Essa não é a minha primeira vez aqui, que é um lugar maravilhoso.” Também apresentando seu novo filme, o cineasta Kleber Mendonça Filho destacou a relevância do festival. “A Mostra faz parte da vida de todos nós, brasileiros, que amamos cinema.” Seu novo filme é o curta Sul de Teerã, em que ele acompanha o cineasta Jafar Panahi por Nova York. “Estou muito feliz em apresentar, pela primeira vez, este filme no Brasil durante a Mostra de São Paulo. O festival toma ainda mais importância para nós ao reafirmar a importância da cultura do cinema neste momento tão dramático do país.” Cenas do Filme Sul de Teerã. Foto: 50° Mostra Internacional de Cinema SP/ Divulgação Resistência Além da exibição de filmes de diversos países, a Mostra é também um espaço de resistência importante para o país, destacou o apresentador de TV Serginho Groisman. Groisman acompanha o evento desde a primeira exibição e, ao longo dos anos, transformou-se também no apresentador oficial das cerimônias de abertura do festival. “Vi a batalha do Leon Cakoff [fundador da Mostra] em transformá-la não só no lugar onde a gente entra e assiste a cinco filmes do mundo inteiro no mesmo dia, mas em um lugar assim de resistência. Foram muitas batalhas – e ele conseguiu fazer com que os filmes não passassem mais a ter censura prévia [como ocorria durante a ditadura], que é uma coisa muito importante”, ressaltou. Programação Entre os filmes programados para exibição na edição deste ano estão: Amor Possível, vencedor do Leão de Prata do último Festival de Veneza; Fjord, ganhador da Palma de Ouro em Cannes; Mulher Desconhecida, Leão de Ouro no Festival de Veneza. A lista também inclui o brasileiro Feito Pipa, de Allan Deberton, escolhido para ser o representante do Brasil na disputa ao Oscar do próximo ano. Além da programação voltada ao público adulto, há três anos a Mostra promove sua Mostrinha, destinada ao público infantojuvenil. Neste ano, a Mostrinha apresentará 20 longas e um curta-metragem. Um dos destaques é o filme Clarice Vê Estrelas, escrito e dirigido por Letícia Pires e baseado em seu livro. Segundo a organização, 16 desses filmes são inéditos no Brasil.
O cinema brasileiro foi o protagonista da noite de encerramento da 28ª edição do Festival do Rio, que anunciou os vencedores dos Troféus Redentor após dez dias de programação em salas de diferentes regiões da cidade. A Margem do Rio, de Enock Carvalho e Matheus Farias, recebeu o prêmio de melhor longa-metragem de ficção, enquanto Elza, de Eryk Rocha, foi escolhido como melhor longa-metragem documentário. A organização informou que o festival recebeu mais de 150 mil pessoas nesta edição. Notícias relacionadas:Festival do Rio chega ao último fim de semana.Patrimônio cultural, Círio de Nazaré reúne fiéis e turistas em Belém.Reality show Duelo de Guitarras destaca perfil de Lucas Moscardini.Na cerimônia realizada no tradicional Cine Odeon, no centro do Rio, a premiação reuniu produções que abordam diferentes experiências sociais e culturais brasileiras. Elza Filho do cineasta Glauber Rocha, Eryk Rocha recebeu o Redentor pelo documentário, que teve sua estreia mundial no festival. Em entrevista após a cerimônia, o diretor falou sobre o longo processo de realização do filme, construído em estreita colaboração com Elza Soares, uma das artistas mais marcantes da música brasileira. “Eu tô muito, muito emocionado, porque foi a estreia mundial do filme. Ele nasceu aqui, no Rio, na cidade da Elza, na minha cidade”, afirmou. Segundo o diretor, o projeto atravessou anos de trabalho e incluiu oito anos de filmagens com a cantora. A produção acompanha a trajetória de Elza Soares a partir de sua própria voz, articulando memórias pessoais, música e imagens de arquivo. “É um filme que fala sobre a mulher brasileira, a mulher negra brasileira, fala sobre o Brasil, sobre a luta”, disse Eryk. O cineasta explicou que a narrativa procura relacionar a história da cantora à trajetória do país e às transformações vividas por diferentes gerações. O documentário também incorpora imagens de filmes latino-americanos, que dialogam com as memórias e o imaginário da artista. Para Eryk, o cinema tem a capacidade de reunir linguagens e dimensões históricas. “O cinema é uma linguagem muito potente, muito rica”, afirmou. “Esse filme coloca em confluência o cinema, música e a própria história do Brasil.” O diretor também destacou a proximidade construída com a família de Elza durante a realização do longa. Segundo ele, o acesso à intimidade da artista representou uma responsabilidade e, ao mesmo tempo, um dos maiores presentes de sua trajetória profissional. Melhor ator O prêmio de melhor ator foi para Victor di Marco, por London, filme que teve estreia mundial no Festival de Veneza, em setembro, antes de chegar ao Festival do Rio. Ator, roteirista e diretor, di Marco aproveitou o discurso de agradecimento para falar sobre capacitismo e as barreiras enfrentadas por artistas com deficiência no mercado audiovisual. “Eu sou um ator com deficiência e falo isso com muito orgulho”, declarou. O artista contou que ouviu, no início de sua trajetória, que não poderia atuar por não ter o chamado “corpo de ator”. A experiência, segundo ele, o levou a desenvolver uma técnica própria de interpretação. “Eu desenvolvi uma técnica minha, porque a deficiência pode ser uma inteligência”, afirmou. Ao dedicar o prêmio à avó, que assistia a novelas com ele e o incentivava a reproduzir as cenas, Victor ressaltou a importância do apoio recebido durante sua formação. O ator também defendeu a ampliação das possibilidades de representação de pessoas com deficiência nas telas. “A deficiência é algo sexy e a deficiência é o futuro”, disse. Outros prêmios Na categoria de melhor atriz, o júri concedeu o prêmio ex aequo — quando há vencedoras empatadas — a Isabel Teixeira, por Diário do Fogo, e Grace Passô, por A Professora de Francês. As duas atrizes têm trajetórias ligadas ao teatro e à construção de personagens em diferentes linguagens. O reconhecimento compartilhado foi um dos destaques da lista de vencedores da Première Brasil. Pedro Goifman recebeu o prêmio de melhor ator coadjuvante por A Professora de Francês. Já Renna Costa, Artia e Ísis Broken dividiram o prêmio de melhor atriz coadjuvante por A Margem do Rio, que também foi reconhecido em categorias técnicas, incluindo fotografia e som. Na direção, Gabriel Martins venceu por Vicentina Pede Desculpas, que também recebeu o prêmio de melhor roteiro. Camila Valença foi premiada pela direção de documentário por Cão Sem Plumas. Além dos resultados artísticos, a cerimônia destacou a importância das condições de formação e financiamento para a realização de filmes brasileiros. Em seus discursos, realizadores ressaltaram os percursos necessários para chegar à produção de uma obra e a contribuição de espaços de exibição e debate para o desenvolvimento do cinema. Festivais como o do Rio funcionam como plataformas de encontro entre realizadores, profissionais do setor, imprensa e público. Também ajudam a apresentar filmes inéditos, estimular discussões sobre linguagem e representação e aproximar produções brasileiras de programadores e agentes do circuito internacional. O balanço divulgado pela organização aponta a exibição de 101 filmes brasileiros, entre longas e curtas-metragens. Desse total, 45 participaram das mostras competitivas oficiais. O público também escolheu seus favoritos em cinco categorias. Fui Olhar Você Dormir, de Anna Azevedo, venceu como melhor longa-metragem documentário pelo voto popular, enquanto Vicentina Pede Desculpas, de Gabriel Martins, foi escolhido como melhor longa-metragem de ficção. Na Mostra Expectativa, o filme mais votado pelo público recebe o Prêmio Aquisição TV Globo. Já o vencedor de melhor filme da Première Latina recebe o Prêmio Aquisição Telecine, que prevê uma janela de distribuição. Principais premiados do Festival do Rio 2026 Júri Oficial — Première Brasil Melhor longa-metragem de ficção: A Margem do Rio, de Enock Carvalho e Matheus Farias. Melhor longa-metragem documentário: Elza, de Eryk Rocha. Melhor curta-metragem: Santo, de Maria Luísa Alves. Melhor direção de ficção: Gabriel Martins, por Vicentina Pede Desculpas. Melhor direção de documentário: Camila Valença, por Cão Sem Plumas. Melhor ator: Victor di Marco, por London. Melhor atriz: Isabel Teixeira, por Diário do Fogo, e Grace Passô, por A Professora de Francês. Melhor ator coadjuvante: Pedro Goifman, por A Professora de Francês. Melhor atriz coadjuvante: Renna Costa, Artia e Ísis Broken, por A Margem do Rio. Melhor roteiro: Vicentina Pede Desculpas, de Gabriel Martins. Melhor fotografia: Luciana Baseggio, por A Margem do Rio. Melhor direção de arte: Ana Paula Cardoso, por Funk. Melhor figurino: Samy Sill, por London. Melhor som: Moabe Filho, Guma Farias, Daniel Turini e João Victor Coura, por A Margem do Rio. Melhor trilha sonora original: Florencia Di Concilio, por A Professora de Francês. Prêmio Especial do Júri: O Filho da Puta, de Erica Maradona, Tania Anaya, Otto Guerra e Sávio Leite. Voto popular Melhor longa-metragem de ficção: Vicentina Pede Desculpas, de Gabriel Martins. Melhor longa-metragem documentário: Fui Olhar Você Dormir, de Anna Azevedo.
An outspoken rebel on and off camera, Nana Patekar leaves behind a monumental legacy where acting is never merely a performance, but an uncompromising confrontation with life.
This week on arts24, film critic Manon Kerjean takes us through some of the latest French cinema releases, starting with a new adaptation of Victor Hugo's "Les Misérables". Vincent Lindon plays Jean Valjean, opposite Tahar Rahim as Inspector Javert in a three-hour epic that brings a thriller-like tension to the classic story.
Começa na noite desta quarta-feira (7) a 4ª edição do Festival de Cinema Colombiano, na Biblioteca Mário de Andrade, na capital paulista. Até o próximo sábado (21), serão exibidas sete obras contemporâneas. A entrada é gratuita, com distribuição de ingressos 1 hora antes do filme. A primeira sessão, às 19h, será dupla, do curta-metragem La Virtualla (2023), de Santiago Posada, e o longa Los Silencios (2019), de Beatriz Seigner. Brasileira, Seigner rodou o filme em uma coprodução Brasil-França-Colômbia e estará presente para conversar com o público. Notícias relacionadas:SP: mostra abriu as portas para o cinema mundial.Os filmes selecionados são produções de 2018 a 2026. O mais antigo deles, Pájaros de Verano, que encerrará a mostra, é uma realização de Ciro Guerra e Cristina Gallego. Dois anos antes, em 2016, a dupla já havia trabalhado junta em O Abraço da Serpente. O longa-metragem, sobre a relação de um colonizador europeu que depende da ajuda de um xamã para obter uma flor de cura, levou inúmeros prêmios ao redor do mundo e representou a Colômbia e a América Latina e Caribe no Oscar. Em Pájaros de Verano o que existe é a tensão e a contradição próprias de um cenário em que poder e dinheiro modificam as pessoas. Nesse caso, uma família indígena wayuu, cujas peças elaboradas meticulosamente por tecelãs são seu cartão de visita, em geral, a quem não é das comunidades, organizadas em clãs. Os wayuu vivem na Colômbia e na Venezuela, e o filme foi apelidado de O Poderoso Chefão Indígena, à época do lançamento. >> Clique aqui e acesse a programação completa Serviço 4ª edição do Festival de Cinema Colombiano De 7 a 10 de outubro Quarta-feira e quinta-feira, das 19h às 21h Sexta-feira, das 16h às 18h30 Sábado, das 16h às 18h Biblioteca Mário de Andrade | Rua da Consolação, 94, Centro - São Paulo Auditório Rubens Borba de Moraes (1º andar) Classificação: 12 anos Acesso livre, com distribuição de ingressos 1h antes.
Em 1992, o jornalista Ubiratan Brasil, o Bira, foi até o Museu de Arte de São Paulo (Masp), na Avenida Paulista, para acompanhar uma sessão da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Era uma produção estadunidense e o diretor do filme estava na sessão, acompanhando a exibição, mas pouquíssimas pessoas estavam na sala para assistir. Naquele ano, a mostra de cinema chegava à 16ª edição. “Eu fui em uma sessão em um sábado de manhã, ao meio-dia, lá no Masp. Se tinha 16 pessoas era muito. E o diretor do filme estava lá. Antes de começar o filme, ele elogiou a gente e disse: ‘Obrigado. Lá fora está um sol, é sábado e vocês estão aqui dentro vendo o meu filme’”. Na saída da sessão, o diretor ainda conversou com o público e trocou impressões sobre seu filme, embora ele ainda fosse bastante desconhecido pelas pessoas. “Ninguém tinha ouvido falar dele”, contou Bira à Agência Brasil. O filme era Cães de Aluguel e o diretor, até então um desconhecido, era Quentin Tarantino. “Naquele dia a gente conheceu Quentin Tarantino que jamais voltará a ter um filme [exibido] com apenas 16 pessoas presentes em uma sala. A mostra trazia isso, essas boas surpresas que depois se confirmariam no futuro”, disse ele. Neste ano, a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo chega aos 50 anos de existência. Durante este tempo, ela conseguiu exibir 11.692 filmes de 8.474 cineastas de diversos países do mundo. Nomes como Wim Wenders, Pedro Almodóvar, Manoel de Oliveira, Amos Gitai e Jafar Panahi chegaram em São Paulo para participar do festival e apresentar seus filmes. “Como muitas pessoas falam, a mostra abriu as portas do cinema mundial para nós, paulistas principalmente. Os cinemas aqui passavam só blockbusters, só os americanos. Você nunca tinha a chance de ver um filme chinês, um filme coreano, um filme cubano. E a mostra era realmente uma aventura porque hoje é muito mais fácil, tudo é legendado. Naquela época, você entrava pra ver um filme indiano com legendas em italiano. Eu não falo italiano, então eu ficava mais observando as imagens e tentando entender um pouco da história. Tinha um pouco esse grau de aventura e de descobertas, que era muito gostoso”, disse Bira. História A primeira Mostra Internacional de Cinema em São Paulo aconteceu em outubro de 1977. Organizada pelo crítico Leon Cakoff, então diretor do departamento de cinema do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP), a iniciativa integrou as comemorações dos 30 anos de fundação do museu. Apesar da divulgação limitada e da cobertura discreta da imprensa, os 11 dias de exibição atraíram mais de 15 mil espectadores. Naquela edição foram exibidos 23 filmes de 17 países, entre eles, Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia, de Hector Babenco, cuja sessão foi amplamente ovacionada. Bira passou a acompanhar a mostra quando ela entrava em sua 4ª edição. Naquela oportunidade viu apenas dois filmes, Cidade das Mulheres, de Fellini, e O Tambor, de Volker Schlöndorff. Desde então, ela se tornou parte de sua vida cultural, ininterruptamente. “Aí comecei a entrar nesse ritmo de, todos os anos tirar férias [durante o evento, para aproveitá-lo], como muita gente faz até hoje”. A aposentada Vanda Sanae Hamanaka Serizawa acompanha a mostra desde sua primeira edição. “Apesar de poucos filmes, comparado ao que ela agora se tornou, esta foi uma janela extraordinária para o mundo que não conhecíamos. Aquele era um período de ditadura e tudo era censurado. O Cakoff contornou aquela situação magistralmente e foi aprimorando a mostra a cada ano”, disse ela à reportagem. “Era um portal de alumbramento. Quem experimentava aquela vivência, via de regra, retornava nos próximos anos. Nos primórdios, os filmes eram de graça”, recordou. Para ela, que já chegou a assistir sete filmes em um mesmo dia durante o evento, a mostra é também “uma usina de ideias”, contribuindo para a formação de profissionais do cinema. “Vários ‘mostreiros’ [como são chamados os frequentadores do festival] se profissionalizaram como diretores ou críticos de cinema. Até o ano 2000, quase não tínhamos acesso à internet. Isso era algo restrito para a área de tecnologia. Então, o diferencial da mostra sempre foram os filmes fora do mainstream [da corrente predominante]. Ela era um canal para a gente ter contato com imagens, linguagens e comportamentos de outras paragens e, sobretudo, ter a percepção crítica além da tela”, disse ela. Além disso, destacou Vanda, a mostra ajudou a formar novos públicos por meio de suas sessões gratuitas ou que acontecem em periferias e também se transformou em uma grande confraternização, possibilitando o encontro com outros cinéfilos. “Todo ano eu faço questão de fazer um jantar ou almoço [para os amigos cinéfilos]. Mas isso sempre depois da mostra porque durante ninguém quer saber, todo mundo prioriza o cinema. Virou uma confraria de afetos”, falou. Para Bira, outra grande qualidade desse festival é poder assistir a um filme no cinema. “As pessoas estão habituadas a ficar em casa e ver [filme] em televisão, celular ou tablet. A experiência de ir ao cinema está ficando um pouco rara, as pessoas tão abrindo mão disso. Mas na mostra você tem a chance de conhecer um filme novo, um cineasta diferente e tudo isso numa sala de cinema”, destacou. Sem interrupções Desde que surgiu, a mostra nunca deixou de ser realizada. Nem mesmo entre os anos de pandemia e de fechamentos de salas de cinema, quando ela se reinventou e adotou o modo de exibição online ou de exibição em cinemas drive-in. Renata de Almeida, diretora da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Foto: Mario Miranda Filho Teve anos em que ela foi grandiosa, exibindo mais de 460 filmes em uma única edição. E teve anos em que ela aconteceu em formato menor, por dificuldades de patrocínio. Mesmo assim, jamais deixou de existir. “Acho que o segredo da mostra é que ela é elástica, ela pode ser mega ou enorme, como neste ano em que estamos comemorando 50 anos, como ela também pode ser pequenininha. Eu acho que a gente tem que saber dançar conforme a música”, disse Renata de Almeida, diretora da Mostra, em entrevista à Agência Brasil. Neste ano em que completa 50 edições, a mostra vai exibir 380 filmes de 93 países. E como forma de celebração, ela ainda apresentará exposições, shows, debates e lançamentos de uma plataforma de acervo e de livros. Entre eles, Antes Que Eu Me Esqueça: Um Ensaio de Lembranças para os 50 Anos da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, escrito por Renata de Almeida. “É um livro sobre as histórias da mostra, mas também sobre a minha vida e sobre as minhas histórias dentro da mostra. É um livro de encontros. Foi também um retrospecto de entender várias coisas que aconteceram com a vida e me revisitar em outras épocas e outras idades”. Esta sua história com o evento, relembra Renata, teve início em 1989, em sua 13ª edição. “Estou há 37 anos fazendo isso”, diz. “Primeiro começou como um trabalho, teve o divertimento e agora é um pouco da minha vida. Tudo junto e misturado, não dá mais nem pra saber o que é uma coisa ou outra”, ressaltou.
Os 50 anos da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo serão celebrados em uma série de eventos que vão ocupar não apenas salas de exibição, mas também espaços culturais da capital paulista, entre 15 e 29 de outubro. A programação conta com 380 filmes de 93 países e ainda prevê duas exposições, lançamentos de livros, shows, debates, atividades para crianças e a apresentação de um acervo com informações sobre filmes e o festival. Notícias relacionadas:Capital paulista sedia festival que une cinema e gastronomia.Mostra leva ao Rio quase sete décadas de produção de Ruy Guerra.Rádio Nacional estreia nova temporada de Música do Mundo neste domingo.A edição comemorativa ganhou um cartaz assinado pelo cineasta James Gray, que será homenageado no festival com o Prêmio Leon Cakoff e uma retrospectiva de sua obra. Gray também participará de uma conversa com o público e com o diretor Walter Salles, agendada para acontecer no dia 15 de outubro, na Sala Petrobras, que foi instalada neste ano no Solar Fábio Prado, na Avenida Brigadeiro Faria Lima. Entre os filmes programados para exibição estão Amor Possível, vencedor do Leão de Prata do último Festival de Veneza, e Fjord, vencedor da Palma de Ouro em Cannes. Também estão entre os destaques o documentário Musk, sobre a vida de Elon Musk; Mulher Desconhecida, vencedor do Leão de Ouro no Festival de Veneza; Homem ao Mar, de Gael García Bernal; Tigre de Papel, de James Gray; Minotauro, de Andrey Zvyagintsev; e o curta-metragem Sul de Teerã, do diretor e roteirista brasileiro Kleber Mendonça Filho. A lista também inclui o brasileiro Feito Pipa, de Allan Deberton, escolhido para ser o representante do Brasil na corrida ao Oscar do próximo ano. Haverá ainda uma exibição especial do clássico Aurora, de F.W. Murnau, que foi restaurado e será apresentado com acompanhamento de uma trilha sonora executada pela Orquestra Jazz Sinfônica, no Teatro Cultura Artística. A programação infantojuvenil estará na Mostrinha, em que serão exibidos 20 longas e um curta-metragem. Um dos destaques é o filme Clarice Vê Estrelas, escrito e dirigido por Letícia Pires e baseado em seu livro. Segundo a organização, 16 destes filmes são inéditos no Brasil. Programação especial Duas exposições vão marcar o aniversário da Mostra neste ano. A primeira delas acontece no Solar Fábio Prado e vai apresentar um pouco da história do evento. Chamada de Tempo e Movimento: Os 50 Anos da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, a exposição apresenta uma linha do tempo do festival, além de pôsteres e objetos que marcaram sua história. Essa exposição ficará aberta ao público até o dia 29 de outubro. A segunda exposição foi chamada de STEPS – Fotografias Inéditas de Abbas Kiarostami e apresenta 60 imagens. em preto e branco, de escadarias registradas pelo diretor ao redor do mundo. A mostra vai de 20 de outubro a 8 de novembro, no Museu da Imagem e do Som (MIS). As celebrações também contam com o lançamento de dois livros: 50 Anos, 50 Cartazes: A História dos Cartazes da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, que apresenta todos os cartazes da mostra e da mostrinha e uma breve história por trás de cada um deles, e Antes Que Eu Me Esqueça: Um Ensaio de Lembranças para os 50 Anos da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, escrito pela diretora do evento, Renata de Almeida. “Esse é um livro pessoal”, contou Renata de Almeida, durante entrevista coletiva à imprensa realizada no último sábado (5). “É um livro que traz muitos casos da mostra, muita coisa que deu errado e muita coisa que eu acho engraçada. Há também muitas coisas que foram difíceis [de serem enfrentadas]”, ressaltou a diretora. Outra novidade da programação é o lançamento de um site que reúne, organiza e preserva a memória do festival. A plataforma com o acervo da Mostra inclui um mapa interativo com a localização geográfica de títulos e diretores por edição e vai permitir pesquisas por edição, filme, direção ou país. Segundo a organização do evento, durante esses 50 anos a mostra já exibiu mais de 11 mil filmes. Para completar, haverá ainda um cine-concerto especial de André Abujamra sobre as vinhetas da mostra, no Sesc 24 de Maio. Encontro de Ideias Pelo sexto ano consecutivo, a Mostra também vai promover o Encontro de Ideias Audiovisuais, que será realizado entre os dias 20 e 23 de outubro no Solar Fábio Prado. O encontro promoverá debates e painéis com a presença de agentes nacionais e internacionais do mercado audiovisual, além de produtores e diretores de diversas partes do mundo. Entre os nomes já confirmados para o evento estão Tamara Tatishvili, do Hubert Bals Fund do Festival de Roterdã; Mariëtte Rissenbeek, ex-diretora executiva da Berlinale; Olivier Père, da Arte; e Eleni Tzialli, do Eye Filmmuseum de Amsterdã.
As Indian cinema grieves the passing of Singeetham Srinivasa Rao, we remember the legendary filmmaker through the enduring brilliance of his 1990 masterpiece, ‘Michael Madana Kama Rajan’
Tributes have poured in from across Indian cinema following the death of Singeetham Srinivasa Rao, with Kamal Haasan, S.S. Rajamouli, Jr NTR, Mahesh Babu and several other major names remembering his extraordinary contribution to filmmaking
So film teams recruit social-media stars to post slick, scripted messages on X and Instagram, ensuring a massive hype around a film’s release
Uma carreira extensa e repleta de realizações reconhecidas pela crítica e pelo público. A Retrospectiva Ruy Guerra – Uma Vida de Cinema traz destaques dessa trajetória em 17 longas-metragens do diretor e dois documentários feitos sobre a vida e obra dele. A mostra pode ser visitada gratuitamente até o dia 16 de outubro na Caixa Cultural Rio de Janeiro, no centro da cidade. A programação tem filmes que passam por quase sete décadas de cinema, incluindo o primeiro longa-metragem de Ruy, Os Cafajestes (1962), até A Fúria (2024), sua obra mais recente. Este último filme encerra a chamada Trilogia dos Fuzis, que começou com Os Fuzis (1964) e seguiu com A Queda (1978). Essas três obras realizadas ao longo de seis décadas são ligadas por um único personagem. Notícias relacionadas:“Nunca vai ser o suficiente”, diz Gagliasso de filmes sobre a ditadura.Ganhadores do Prêmio Grande Otelo destacam emoção de vencer em casa.“São três filmes sobre um personagem o Mário que é um cara de uma retidão muito grande e por isso é muito abalado na vida” disse o curador e cineasta Aristeu Araújo em entrevista à Agência Brasil. O público vai poder assistir a um filme raro em versão restaurada. Ternos Caçadores (1969) é uma produção francesa que durante décadas esteve praticamente inacessível ao público brasileiro. Essa é uma das obras menos vistas da filmografia de Ruy Guerra, que agora chega à circulação em 4k. “Durante o processo do projeto a gente descobriu que o filme foi produzido na França na década de 1960 e dirigido pelo Ruy. Estava praticamente perdido e não era exibido há muito tempo, mas tinha sido restaurado em 4K e vamos exibir, o que ocorreu em raríssimas exceções. Foi exibido em Curitiba e aqui no Rio pelo aniversário do Ruy Guerra em agosto”, contou, acrescentando que existia uma cópia muito deteriorada, em película, no Brasil, que mal podia ser assistida, por isso, não era exibida. “Agora, a restaurada é de muito boa qualidade.” “O filme teve uma carreira boa, pelo que o Ruy fala, no lançamento na França e na Espanha também foi bem, mas aqui no Brasil foi pouquíssimo exibido. É uma oportunidade muito interessante para o público assistir”, acrescentou. O filme Kuarup, que é muito importante na carreira do cineasta e concorreu à Palma de Ouro em Cannes, também enfrenta falta de qualidade de cópias e não há nenhuma digital minimamente possível de ser exibida. “A gente exibiu em Curitiba, mas com aviso para o público. Eu falava antes das exibições que era a única cópia possível de ser exibida. Agora no Rio, a gente vai ter a possibilidade de exibi-lo em película”, afirmou, informando que a cópia em película é guardada no Arquivo Nacional. Os documentários que fazem parte da mostra são O Homem que Matou John Wayne (2015), de Bruno Laet e Diogo Oliveira, no qual Ruy Guerra tem um encontro inesperado com o ator americano em uma viagem poética pelas ideias do cineasta. O outro documentário é Tempo Ruy (2021), de Adilson Mendes, sobre o trabalho do cineasta, escritor, ator e dramaturgo. >> Confira aqui a programação completa da mostra Curadoria Segundo Araújo, a intenção sempre foi reunir na mostra todos os filmes de Ruy Guerra que pudessem ser exibidos em uma retrospectiva mais ampla do trabalho dele. Como em muitos casos é difícil ter a preservação adequada de filmes no cinema nacional, a organização precisou fazer um grande trabalho de pesquisa e localização de cópias. De acordo com o curador, a filmografia de Ruy Guerra tem muitos materiais deteriorados por causa do tempo e da má conservação ou do difícil acesso. Grande parte das obras dele é em película e, quando não há possibilidade de exibir neste tipo de material, tem que buscar as obras em arquivos digitais. “Um grande problema é como essas cópias foram passadas para o digital. Às vezes não foram bem telecinadas [telecinagem é o processo e transposição da película para o arquivo digital], são cópias muito antigas com resolução baixa”, explicou. Gratuidade Para o curador, a entrada gratuita na mostra vai permitir uma divulgação maior do trabalho do cineasta. “É uma espécie de democratização da cultura do cinema brasileiro fazer este tipo de movimento, por isso a gente insistiu em fazer tudo gratuito”, afirmou. Aos 95 anos, Ruy Guerra, que também é roteirista, dramaturgo, poeta e compositor, vai presentear os visitantes da mostra com uma masterclass, dedicada à construção artística e política da Trilogia dos Fuzis. O encontro será neste sábado (3), às 18h. O ingresso tem que ser retirado meia hora antes, na bilheteria da Caixa Cultural. Ruy Guerra nasceu em Moçambique, enquanto aquele país africano atravessava o domínio colonial português. Saiu de lá durante o período de surgimento do movimento cinematográfico francês conhecido como nouvelle vague, para estudar cinema em Paris. A chegada ao Brasil foi em 1958 e em poucos anos ele se tornou um dos principais nomes do Cinema Novo, ao lado de Glauber Rocha (1939-1981) e Cacá Diegues (1940-2025). O olhar político, o diálogo constante com outras linguagens artísticas e a experimentação estética marcam as obras de Ruy Guerra. Araújo descreveu a produção do cineasta como diversa porque ele não tem um tema específico, apesar de falar muito de questões políticas. “Ele é um homem de esquerda e muito revoltado com a opressão. Isso é um ponto em comum e grande parte dos filmes dele traz as pessoas que são oprimidas e estão revoltadas com um certo status quo”, apontou. Literatura Outro destaque da filmografia de Ruy Guerra é a presença da literatura. Ruy Guerra adaptou para o cinema, entre outros, textos de escritores como Gabriel García Márquez (1927-2014) e Antonio Callado (1917-1997), mas também se dedicou a peças, poemas e letras de músicas interpretadas e compostas com grandes nomes da MPB, como Milton Nascimento, Francis Hime e Chico Buarque. O catálogo digital preparado especialmente para a retrospectiva traz uma entrevista inédita feita pelo curador e organizador da mostra com o cineasta. Nela, Ruy revelou que sempre teve uma paixão muito grande pela palavra e antes de tudo queria ser escritor. “Ele queria trabalhar com literatura, queria ser escritor, mas na juventude o pai fez pressão para ter uma profissão. Ele já gostava muito de cinema e falou que o cinema é uma má profissão, mas é uma profissão. Ele nunca se distanciou da literatura”, disse Aristeu Araújo. Antes de chegar ao Rio, a Retrospectiva Ruy Guerra – Uma Vida de Cinema, esteve na Caixa Cultural de Curitiba, onde o público pôde assistir a uma filmografia que atravessou momentos históricos do Brasil. Situações como violência, desigualdade, poder, liberdade e justiça social estão presentes de diferentes formas nas obras do cineasta, que, perto de completar 100 anos, permanece produzindo. “Ele tem essa história em que fala que vai filmar até só 100 anos para depois se dedicar à literatura”, contou o curador. Serviço: Retrospectiva Ruy Guerra – Uma Vida de Cinema Quando: 29 de setembro a 16 de outubro de 2026 Não haverá sessões: Segundas-feiras e 9 de outubro Local: Caixa Cultural Rio de Janeiro - Rua do Passeio, 38, no centro do Rio Ingressos: Gratuitos, a serem retirados meia hora antes de cada sessão na bilheteria da Caixa Classificação: A partir dos 18 anos
The award is in recognition of the immense contributions made by Mr. Cyril to cinema, actor Mohanlal said